Dois anos após o centenário da descoberta da doença de Chagas, especialistas do Pará e de outros Estados estão reunidos desde esta segunda-feira (27), no Hotel Regente, em Belém, por ocasião da abertura da Semana Científica da Doença de Chagas no Pará, cujo objetivo será o de discutir os avanços no combate à doença desde a implantação do Plano de Intensificação de Controle da Doença de Chagas no Pará, elaborado em 2008 pelo Ministério da Saúde e o Governo do Estado.
O evento prossegue até esta quarta-feira (29). Até lá, o debate em torno do combate da doença de Chagas no Pará vai acontecer em dois momentos. No primeiro, serão avaliadas as ações e os avanços obtidos pelo plano, com representantes dos 86 municípios paraenses considerados prioritários para o combate à doença, além de diretores da Vigilância em Saúde, diretores dos 13 Centros Regionais de Saúde e demais convidados de instituições parceiras na execução das ações, entre as quais Ministério Público, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PA), Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Universidade Federal do Pará (UFPA), Instituto Evandro Chagas (IEC), Fundação Santa Casa, Hospital Universitário João de Barros Barreto, Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, Colegiado de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Serviço de Proteção da Amazônia (Sipam), Programa Nacional de Doença de Chagas e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O segundo momento acontece por meio de uma reunião científica, quando serão formados dois grupos de especialistas para elaborar um protocolo de atendimento ao paciente portador da doença de Chagas e outro para compor um protocolo de investigação de casos e surtos. A reunião contará com a participação de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Vigilância em Saúde de Brasília e universidades federais de várias localidades, além de instituições locais.
“O encontro é de extrema importância prá nós, do Pará, que concentra mais de 90% de casos registrados no Brasil. Ou seja, é uma maneira de exercitar esse olhar diferenciado sobre a região, muito em função da recente modalidade de transmissão oral, que demanda, naturalmente, por mais pesquisa e discussões para combater a doença no Estado e acompanhar os que já foram vítimas", destaca o secretário estadual de Saúde, Helio Franco, que destacou ainda não ter dúvidas de que os resultados trarão eficácia a médio e longo prazo.
A coordenadora estadual de Controle de Chagas, Elenild Góes, lembra que por meio do Plano de Controle da Doença de Chagas no Pará, elaborado há três anos, foi possível estabelecer protocolos de pesquisa de campo, fluxos de amostras de laboratório e informações, rede de referência e contra referência, metodologias de investigação de surtos, capacitações de profissionais direta ou indiretamente envolvidos no programa.
"A produção desse plano, com o tempo, gerou um aporte de conhecimento que culminou na necessidade de divulgação e uma ampla discussão de aspectos importantes da epidemiologia e clínica da doença no Estado. O objetivo desse nosso encontro reside principalmente nesse aspecto. Estamos numa espécie de prestação de contas sobre o que já fizemos de 2008 até agora", explica Elenild.
Um dos palestrantes do primeiro dia do encontro, o médico uruguaio Alejandro Luquetti, professor adjunto do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goias (UFG), se mostrou preocupado com os casos registrados no Pará, principalmente depois da diferenciação nas contaminações em meio urbano e na associação de novos casos da doença com a ingestão de alimentos contaminados, como o açaí.
De acordo com a Coordenação Estadual de Doenças de Chagas, em 2010 foram registrados 74 casos da doença em todo o Estado e, no primeiro semestre de 2011, mais 14 casos. Belém e Abaetetuba são os municípios com maior incidência, cada um com quatro casos. Na capital, os bairros do Jurunas e Guamá são os que mais registram diagnósticos da doença.
Até ao final do evento, na quarta-feira, serão discutidos temas associados ao combate da doença de Chagas no Pará, como o controle mais efetivo em relação a comercialização de produtos comestíveis que podem vincular o agente etiológico da doença de chagas – Trypanossoma cruzi com o desequilíbrio sócio- econômico sofrido por batedores de açaí, assim como o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), elaborado pelo Ministério Público com o objetivo de adequar esses estabelecimentos a normas de higiene criando, também, uma cartilha para os batedores de açaí com bons hábitos de higienização.
Serviço: Semana Científica da Doença de Chagas no Pará. De 27 a 29 de junho, em horário comercial, no Hotel Regente, avenida Governador José Malcher, 485, bairro de Nazaré, em Belém.
* Com fotos de José Pantoja.